CFO da Marquise aponta o paradoxo Brasil: juros mais baixos da história com crédito escasso e caro
15.05.2020

As empresas enfrentam o duro desafio diante da crise do coronavírus. O novo diretor financeiro do Grupo Marquise, Luiz Gustavo Vianna, fala sobre as decisões tomadas pelo grupo para atravessar o momento forma mais assertiva.

Fontehttps://www.focus.jor.br/cfo-do-grupo-marquise-aponta-o-paradoxo-brasil-...

"Os juros continuarão sendo capitalizados e os pagamentos serão retomados quando a crise econômica estiver, possivelmente, em seu ápice", diz Luiz Gustavo Vianna.

No momento em que as empresas enfrentam o duro desafio diante da avassaladora crise do coronavírus, o novo diretor financeiro da Marquise, Luiz Gustavo Vianna, relata as decisões tomadas pelo grupo que tem a peculiaridade de atuar em diversos setores da economia: limpeza urbana, construção civil, construção pesada, hotelaria, produção de gás e comunicação.

Além de mostrar como o grupo está agindo para se contrapor aos problemas que surgem com a crise, o executivo faz uma crítica importante aos pacotes até aqui baixado pelo Governo Federal: “Postergar pagamentos de parcelas de financiamento dos bancos é pouco eficaz. Os juros continuarão sendo capitalizados e os pagamentos serão retomados quando a crise econômica estiver, possivelmente, em seu ápice. O Brasil vive um verdadeiro paradoxo: temos a taxa básica de juros mais baixa da história no momento em que o crédito será escasso e caro”. 

Veja a entrevista que o executivo concedeu ao Focus

Focus – O grupo Marquise atua em diversos setores, que vão da hotelaria ao shopping, passando pela construção pesada e indo até à essencial coleta de lixo. Que medidas a empresa adotou para o momento? O que funciona e não funciona?
Luiz Gustavo Vianna – O Grupo Marquise buscou atuar em 3 eixos estratégicos. O primeiro foco foi darmos total proteção à saúde de nossos colaboradores, clientes e fornecedores. Enviamos mais de 80% do nosso efetivo das áreas administrativas para Home Office, reformulamos processos e formas de atuar nas áreas operacionais, além de reforçarmos protocolos de saúde e segurança. Paralelamente, foi montado um Comitê de Crise Covid-19 com as lideranças de todas as unidades de negócio e do corporativo para que decisões fossem tomadas de forma rápida e eficaz, respeitando as características de cada área de atuação com o direcionamento estratégico do Grupo. Finalmente também se abriu a oportunidade para que cada diretor pudesse olhar com maior detalhe sua operação, melhorando ao máximo sua produtividade e otimizando custos. As crises, se bem conduzidas, trazem também oportunidades e aprendizados.

Focus – Na sua avaliação, as medidas de isolamento social estão adequadas? Qual o limite delas?LGV – Buscamos seguir rigorosamente as orientações das autoridades sanitárias e respeitamos as decisões das lideranças políticas. Acreditamos que as questões de saúde e da economia chegarão ao equilíbrio. Alguns de nossos negócios já sofreram impactos e ainda sofrerão, uns mais que outros e estamos resilientes. O que não temos dúvidas é que sairemos mais fortes enquanto empresa e sociedade após superarmos essa crise!

Focus – As respostas dos Governos, incluindo o Federal com seus pacotes financeiros, alcançam as necessidades diante das imensas demandas que se impõem?
LGV –
 Estamos observando atentamente todas as medidas que os governos estão tomando no intuito de proteção ao trabalhador e às empresas. Existem inúmeras formas de ajudar a economia e seguramente será necessário a entrada de recurso novo no sistema para que trabalhadores e famílias possam se sustentar e voltar a consumir. Postergar pagamentos de parcelas de financiamento dos bancos é uma possibilidade, porém pouco eficaz, pois os juros continuarão sendo capitalizados e os pagamentos serão retomados quando a crise econômica estiver, possivelmente, em seu ápice. O Brasil vive um verdadeiro paradoxo: temos a taxa básica de juros mais baixa da história no momento em que o crédito será escasso e caro. Uma forma mais proveitosa seria o governo abrir mesas de negociação para que os contratos vigentes possam ser renegociados, reduzindo os juros para os patamares atuais, ou até com taxas subsidiadas, e alongando o pagamento da dívida. Esse é somente um exemplo de inúmeros que as grandes economias praticam e que devem servir de exemplo ao Brasil.