Fernando Limberger realiza workshop sobre paisagismo e arte urbana com artistas de Fortaleza
06.11.2017

Fernando Limberger iniciou sua pesquisa artística no início dos anos 1980, quando começa a trabalhar em diferentes meios, como desenho, escultura, pintura, instalação e intervenção, muitas vezes em parceria com outros profissionais. Seus trabalhos, que incluem obras expostas na Pinacoteca de São Paulo e no CCBB Rio, têm como tema recorrente a natureza. A partir de 2002, o artista passa a desenvolver projetos em paisagismo, promovendo intervenções em espaços públicos e privados, além de projetos de jardins residenciais e comerciais. Desde a última semana, Fernando se encontra em Fortaleza, em laboratório e workshop com nov e artistas locais que transformarão 33 espaços degradados de Fortaleza em obras para a população entre os meses de novembro e fevereiro. A vinda do artista faz parte do cronograma do projeto Urbano Arte, que tem curadoria de Gustavo Wanderley e é patrocinado pelo Grupo Marquise e pela Ecofor Ambiental por meio da Lei Rouanet.

 

Durante três dias, os artistas participaram do workshop com Fernando no Porto Iracema das Artes, a fim de apresentarem seus trabalhos e trocarem experiências com os colegas. De acordo com o curador do projeto, Gustavo Wanderley, a ideia da oficina é ampliar o repertório dos artistas, proporcionando novas informações sobre intervenções urbanas, no sentido de que os processos criativos de cada um, em sua singularidade, proporcionem alterações de percepção das paisagens modificadas, sobretudo dos moradores do entorno de cada uma delas, proposta que vai ao encontro da filosofia da paisagem.

 

O workshop também proporcionou ao grupo conhecimentos sobre vegetação, plantio e possibilidades de utilização. No último sábado (28), os artistas participaram de trilha no Parque do Cocó.

 

Em um terceiro momento de integração, os artistas realizam, desde segunda-feira (30), uma intervenção conjunta, abrangendo diversas linguagens, no bairro Jacarecanga (Av. Sargento Hermínio com Lavras da Mangabeira).  

 

Os 33 pontos que integram o Urbano Arte foram selecionados pela equipe de educação ambiental da Ecofor, que acompanha o processo desde o início.

 

As intervenções terão início no mês de novembro, com diálogos dos artistas com as comunidades que integram o entorno das paisagens que serão modificadas.

 

Gustavo Wanderley explica que o projeto se aproxima da arte pública e da arte urbana. "Com o Urbano Arte nós queremos transformar diversos territórios da cidade em uma experiência de apreciação da arte contemporânea. Estamos provocando os artistas a ampliarem seus repertórios através da curadoria e do workshop, para que as intervenções sejam realizadas para além do grafitti.

 

Consideramos o lugar da intervenção, uma estratégia complexa de aproximação da arte no lugar da urbe, que considera história, pessoas, afetos, memórias... Trata-se de uma contraposição portanto entre espaço e lugar", comenta.

 

Esses são os artistas participantes do Urbano Arte:

 

Zé Victor Férrer - o artista desenvolve sua pesquisa a partir de referências culturais, como livros e filmes

 

Bruno Ribeiro (Spoteink) - morador do Serviluz, trabalha com ícones das novas mídias, como desenhos que remetem aos emojis.

Bruna Bezerra - seu traço orgânico entrelaça personagens sem uma caracterizaçã o uniforme de sentimentos ou afetos

 

Raisa Cristina - trabalha com diversos suportes em sua pesquisa artística, entre eles, desenhos sobre papel fotográfico, recortes em papel em grande escala e grandes intervenções em muros e fachadas.

 

Ceci Shiki - seu trabalho parte de negociações entre os mais diversos públicos, seja com um diálogo provocador ou entre pessoas em situação de conflito com a lei.

Artur Bombanato - sua trajetória começa no pixo, como uma necessidade de ocupar ou evidenciar lugares vazios e ausências. As ruínas e lugares abandonados são particularmente interessantes para o artista.

 

Ramon Sales - Trabalha com  tipografias, símbolos e palavras deslocadas de seus sentidos recorrentes, mais comuns. É publicitário de formação, com grande percepção das narrativas das cidades e seus códigos.

 

Rafael Limaverde - Grafiteiro bastante conhecido na cidade, tem como uma de suas obras de maior destaque aquelas nas caixas d'água de Fortaleza, enormes intervenções dificilmente despercebidas por quem transita na cidade.

 

Alexsandra Ribeiro (Dinha) - natural de Pernambuco, aproxima-se da cidade de uma maneira muito particular. É educadora social, negra e moradora de periferia. Tem especial interesse pelo feminino e a questão da valorização da cultura africana e afro-brasileira.

 

Fontes para entrevistas

Gustavo Wanderley - curador

Fernando Limberger – artista plástico